Quinta-feira, Agosto 31, 2006
Hoje é o BlogDay, dia de indicar blogs novos aos leitores:
Filthy McNasty - Conheci por causa do Copy&Paste, totalmente fora da minha órbita natural. No entanto eu sou apaixonada pelo texto desse moço, especialmente quando ele escreve sobre sentimentos, relações, mulheres. Se tiver algum pré-conceito esqueça e permita-se; vale a pena.
A vitrola da Beth S - A queridíssima Beth Salgueiro resolveu 'socializar' seu inacreditável acervo musical, juntamente com muita informação e bom gosto. Sabe quando você aprende se divertindo? Pois é, cada disco da vitrola é uma aula inesquecível.
Quase dois irmãos - Blogue do Zé, meu querido amigo digital-nada-virtual, e do Adriano, que admiro muitíssimo. Tem futebol, reminiscências, políticas, amor, amizade, tudo do ponto de vista de homens inteligentes - e eu adoro ler o que eu chamo de "o diário dos meninos", ou seja, a visão masculina sobre o mundo.
beijo beso bisou bacio kiss kuß poljub kyss kisu - Um blogue com fotos de beijos - de todos os tipos, estilos, propósitos, intenções, etc. Pena que a atualização não é tão freqüente; acho a idéia maravilhosa.
Promessas - descobri há pouco tempo, mas acho que vou virar freguesa: Umore mio com posts curtos, afiados; citações musicais e músicas impecáveis; e Favoritos, um guia para lugares inúteis e divertidíssimos na uébi.
Helê
9:59 AM
Trilha sonora para o dia, ou melhor, a noite de hoje: o que elas querem.
Helê
1:29 AM
Terça-feira, Agosto 29, 2006
Vejam só, eu fui a feliz vencedora da promoção mais engraçada da blogosfera, a Marmelada de CD do Marcos VP. O mimo chegou ontem pelo Correio e muito me agradou, a começar pelo título: Ladies on the Road. Melhor ainda a justificativa, que parte do que seria o paradigma da mulher moderna: aquela que sabe usar computador, dirigir e falar inglês. Diz o VP: "Pensando no Duas Fridas, uma coisa para mim era certa: o CD tinha que ter uma cara feminina. (...) Acabei desistindo de certas músicas, ao mesmo tempo em que pensei que não necessariamente mulheres que falam de mulheres têm que gostar de escutar mulheres cantando sobre as mulheres. (...) Sob essas premissas, consegui fechar outra seleção. Músicas colhidas em mp3 (mais informática impossível...), em estilo pop estrangeiro e que remetem às estradas: músicas para ouvir dirigindo, rindo, chorando, brincando."
Adoraria saber como foi que o VP descobriu que eu só ouço música dirigindo, mas tudo bem. Vai ver que eu sou super mulher moderna e nem sei.
A seleção musical agradou tanto quanto o título, a capa e a carta que acompanha o brinde. Inclui desde a musa Madonna, que não podia faltar, a Alanis e Sheryl Crow, que eu amo, passando por novidades que eu não conhecia e amei.
Eu nunca ganho nada, só podia mesmo ganhar na marmelada. :-)
-Monix-
8:45 PM
Segunda-feira, Agosto 28, 2006
Meu umbigo, meu mundo
A suprema Renata abriu ontem, exatamente um mês antes do grande dia, a temporada de agrados, declarações e afagos à Pessoa que vos escreve, me dando de presente esse livro lindo sobre nuestra musa, a Kahlo.
Iniciada a contagem regressiva para meu niver, dia 27 de setembro.
Helê, a cara de pau
11:59 AM
Falando nisso
Nesse momento em que as motherns estão mais in do que nunca (uia!), estréia um blogue imperdível, daquele que é um fóder* legítimo (tipo havaianas): o Pai de Meninas. Nele o Felipe B. relata suas aventuras com Lia e Dora. Uma delícia de blogue, porque o Felipe escreve bem, as meninas não podiam ser mais fofas e é muito bacana saber sobre a paternidade de quem mais entende do assunto: um pai. Vale a visita.
Ah, sim: fóder (plural: fóderes) é o feminino de mothern; a descrição já foi muito bem feita por mi Sócia no post abaixo. Felipe é marido da Dani K, mothern de primeira hora (ou nós dizemos, da turma do fundão).
Helê
11:40 AM
Sábado, Agosto 26, 2006
A eles
Aos que estão mudando tudo, por dentro e por fora
Aos que discutem a relação, mesmo quando é para concluir que ela se acabou
Aos que sabem fritar ovo e também trocar carrapeta
Aos que não ajudam, dividem
Aos que não se esquecem das pequenas gentilezas
Aos que entregam a chave do carro quando bebem
Aos que olham para seus pais e os entendem, mas não se reconhecem
Aos que choram de emoção, medo, desespero ou profunda alegria
Aos que não têm medo de ter medo, porque aí reside a verdadeira coragem
Aos que perceberam a diferença entre cuidar e patriarcar
Aos homens da minha geração, digo:
O rei está morto, viva o novo Rei!
-Monix-
11:31 AM
Sexta-feira, Agosto 25, 2006
Para animar a sexta-feira: Light my fire, no Dufas Dial.
Helê
11:28 AM
Quarta-feira, Agosto 23, 2006
Moças bonitas
Quando postei aqui a canção de Lenine, 'Todas elas juntas num só ser', a Anna Brasileira me convidou a passar lá no cafofo dela e escolher a canção-homenagem a uma mulher que eu achasse mais bacana. Eu, maleducadamente, não fui, mas por absoluta incapacidade em escolher uma entre tantas músicas sensacionais. Pensando (e ouvindo) sobre o assunto, concluí que alguns autores, para fugir do dilema de escolher uma musa única - sujeita a traições, decepções e demais intempéries - optaram por uma espécie de genérico: Moça Bonita. Assim, amanhã ou depois, quando a Rita levasse o sorriso do cidadão, ou a Rosa arrasasse com o projeto de vida dele, ele poderia mudar a mulher e manter a canção.
Bom, eu não sei se foram essas as (más) intenções dos rapazes que estreiam hoje no Dufas Dial. Seja qual for, há 3 belas moças sendo merecidamente cantadas. Ouçam e comentem, lá ou cá.
Helê
11:58 PM
Papo eleitoral gratuito
- Eu gosto do Gabeira, mas acho que ele tá eleito...
- Sei não, ele precisa de muito voto porque o partido dele é pequeno.
- Pô, pensei em votar no Luís Eduardo Soares...
- Taí, uma boa opção! Mas queria conhecer melhor as propostas dele.
- É, pena que é homem, branco e classe média.
- Ah! Deixa eu ver... ele é gordinho...
- Não muito... já sei: é careca!
- Pronto, já representa uma minoria, beleza.
Helê
11:35 PM
Dedicado a vocês
Quem costuma cometer trocadilhos infames por aqui sou eu, confesso. Mas quem criou o mais recente deles, para nossa honra e glória, foi a suprema Dedéia, que nos deu um encargo muito importante. Vocês sabem: esse negócio de fada madrinha é pra gente comum, feito a Cinderela; Andrea Bacellar (e Carlos Matos) necessita(m) de fridas-madrinhas, ora pois. E foi com muito gosto que fomos nós ao cartório cumprir nossa missão - que os burrocratas chamaram de testemunhas de união estável, coisa mais sem graça. Eu achei que era mesmo um evento, coloquei a máquina digital na bolsa e pensei em levar umas flores, mas na hora amarelei, achei que estava levando tudo a sério demais, vendo poesia num cartório, segunda-feira, meio-dia e meia, veja você. Depois eu descobri que não era a única. E também não foi por acaso - porque nada é - que eu encontrei ontem, sem estar procurando, esse texto aqui da Dani Menezes sobre casamento. Então fica aqui essa oferta singela ao casal, a quem eu desejo que se apaixone muitas vezes mais, e a quem peço que relevem aí a pieguice, mas é que sentimental eu sou, paciência.
Helê
12:43 AM
Terça-feira, Agosto 22, 2006
A Verbeat divulgou os resultados da primeira Pesquisa Blogosfera Brasil. Vale a pena conferir.
4:44 PM
Gracinhas
Vamos combinar que se sair bem na Marília Gabriela é uma coisa; na Hebe é outra muito mais difícil. E elas saíram-se bem naquele sofá que é tudo - espetáculo, diversão, show - menos entrevista. A Hebe é uma gracinha, mas tem DDA em estágio avançado, fala de uma coisa e depois emenda em outra, sacaneia o gordinho na platéia e depois termina sempre sorrindo e achando tudo uma graça. Ela fez perguntas pertinentes, como por exemplo se as motherns acham adequado que as grávidas mostrem a barriga, como fez pioneiramente a Leila. Ela, Hebe, não gosta, afinal barriga é coisa íntima (!). Ah, também perguntou que castigo merecem as mães que esquecem o filho no carro e vão fazer compras no shopping - ao que a Ju respondeu, livrando-se elegantemente da saia justa e da falta de noção, que o fato em si já é castigo suficiente (ufa!). Mas em meio a tudo isso - às jóias e ao decote inacreditável e desnecessário da Hebe, entre o grupo revelação e a Dionne Warwick -, as duas conseguiram falar do livro e do blog; a Ju, didática e acertadamente, explicando o que é um; da importância do livro de visitas como fórum de discussão. Fizeram até a própria Hebe falar de um perrengue materno e usá-lo como exemplo da dureza dos primeiros tempos, pra toda e qualquer mãe. Acho que a Hebe não entendeu do que se tratava, mas as meninas saíram-se muito bem, com louvor.
Helê
3:07 PM
Sobre violência
Trilha sonora do post no Dufas Dial: ouça e leia.
Hoje há mais uma postagem coletiva, sobre a qual eu pensei muito antes de participar. Porque, vocês sabem, meu movimento preferido é o ''Chega de basta!''. E eu não me interesso em discutir violência urbana sob o ponto de vista da (minha) classe média. Nem tenho a ousadia de dizer que é errado ou inadequado, não, apenas não me interessa.
Por isso eu só consegui pensar nesse texto, que li há mais de um mês e do qual não me esqueci. Porque qualquer um que já viveu minimamente perto da periferia, de qualquer periferia, vai se identificar com ele:
Enquanto eu olho a paisagem imensa e linda da zona sul do Rio de Janeiro, a Deni, minha vizinha de Santandré, aguarda a chegada do corpo do filho, o Gu, morto essa noite numa viela do bairro. Deni tem mais três filhos: Daniel, o mais velho, está preso, Willian, o segundo, também está preso e Edinho, o caçula, sobrevive em meio às farpas do cotidiano da periferia.
Na rua onde me criei todo mundo morreu, tá preso, casou por desespero ou virou evangélico, e todas essas pessoas fazem parte da minha história. O Kleber, meu primeiro amor adolescente, morreu numa escadaria. Filho único, deixou uma mãe linda e desesperada que acaba seus dias na ingreja evangélica do bairro, onde enterrou a juventude e qualquer ousadia dos seus muitos decotes bem definidos. Na morte do Kleber, ela morreu no dia-a-dia.
Daniel, irmão do Gu, é lindo, olhos quase verdes. Dizem que é um assassino frio, mas na nossa infância era só o guri cobiçado, o rapaz das brincadeiras. Willian, tb da família do peixeiro (o marido da Deni é peixeiro) sempre foi arredio, sarcástico. Matou um policial e vai mofar no presídio. Edinho é muito mais novo do que eu, mas já passeia por aí com seus piás. A Deni é da igreja da mãe do Kleber mas, como se vê, Deus não deu muita bola pra essa união familiar.
Denise, minha melhor amiga na infância e adolescência, casou com o Wilson, meu ex-cunhado. Faz quase dois anos que não os vejo, mas torço para que eles tenham optado por algo mais sadio do que viver o futuro preparado, encaixotado. Wend, meu namorado durante 6 anos (irmão do Wilson), casou-se, mora na Praia Grande, tem 3 filhos lindos e, me parece, uma bela carreira na Igreja do Evangelho Quadrangular. Sim, rapazes e moçoilas, meu ex-amor (pq eu amei o Wend) está estudando pra ser pastor e, conhecendo bem sua capacidade argumentativa e seu raciocínio brilhante, será próspero e galgará todos os degraus hierárquicos do mundo de Jesus.
E essas histórias se multiplicam pelas esquinas, sobrados mal-acabados e bocas-de-fumo. Por isso, e por outras tantas razões, eu detesto Santandré. E quando eu digo isso, mais do que sobrevivente, me sinto fugitiva: saí de lá às pressas e deixei o mundo continuar queimando em pólvora. Hoje, dona que sou das minhas gaiatices, emprego bom, cultura encapada e conhecimentos inúteis, velo solenemente mais esse corpo da minha história que cai e se esvai aos vinte e não muitos anos.
Deus está morto...e o Gu tb.
Escrito pela Gio, no sempre bacana Verbo e Devaneio
12:07 AM
Segunda-feira, Agosto 21, 2006
"Não tenha pressa, mas não perca tempo"
(atribuído a ) José Saramago
Boa semana, pessoas.
Helê
10:48 AM
e não podemos deixar de registrar o orgulho maior da nação com a estréia glamurosa do programa mothern, no gnt. foi lindo, meninas! quando acabou eu ainda queria muito mais. e nós três, nós, as bloggetes ensandecidas, que nos formamos lá, nos primórdios mais obscuros do lv, no tempo que o que impregnava as motherns eram coisas muito mais complexas do que um cocô amarelo de criança, nós aqui estamos em posição genuflexória, rendendo preces às musas maiores, estrelas do nosso firmamento. longa vida ao vosso glorioso talento. amém.
...Flá
Eu até ia comentar alguma coisa, mas ela disse tudo.
-Monix-
10:47 AM
Sexta-feira, Agosto 18, 2006
Levanta e sacode a poeira
Ali onde eu chorei, qualquer um chorava. Dar a volta por cima que eu dei, quero ver quem dava.
Hoje é sexta-feira. Dia de sacudir a poeira. Antes, vale a pena dar uma passadinha no Dufas Dial pra esquentar os tamborins.
Fridas
12:10 PM
No intuito de desmoralizar a candidatura do Lula, ridicularizando os programas "assistencialistas" do governo, como o Bolsa-família, a revista ilustra a capa com a imagem de uma mulher jovem, negra, nordestina e pobre. Segundo a matéria é esse o perfil do eleitor que vai decidir a eleição. Ora, num país onde mais da metade da população vive na pobreza e onde os níveis de desigualdade entre ricos e pobres ultrapassa os índices de muitos países africanos, a eleição deve ser decidida sim por pessoas como a moça da capa. (...) O fato que sejam estas pessoas que decidam a eleição é um motivo de grande orgulho para qualquer presidente que eleito for.
Só hoje descobri a Anânima. Antes tarde que mais tarde.
-Monix-
11:02 AM
Quarta-feira, Agosto 16, 2006
O melhor resumo da entrevista das motherns para a Gabi está aqui.
-Monix-
2:45 PM
Eu tô aqui. Mas não queria estar, porque tô com uma TPM tão braba que nem eu tô me aguentando.
Talvez daqui a pouco eu não esteja. Tô a dois minutos de pegar a minha bolsa e ir embora.
Helêmica
1:06 PM
Terça-feira, Agosto 15, 2006
Filhote da ditadura
Lembro da campanha do Sujismundo; do medo que eu tinha do meu tio hippie e cabeludo; da PE patrulhando as ruas; do Figueiredo dizendo ao Alexandre Garcia que prefere o cheiro dos cavalos; da Semana do Presidente nos intervalos do Sílvio Santos; do certificado de censura assinado pela Solange Hernadez; do disco do Chico que incluía Tanto Mar sem letra; da Lei Falcão e as "ameaças à segurança nacional"; das paradas do 7 de Setembro; das bandeirinhas verdeamarelas e da vergonha de ser patriota; do esquadrão da morte e do Mão Branca; da inflação batendo os 100% ao ano pela primeira vez na história do Brasil; do Golbery e do Delfim Netto; do maiô-cortininha que as grávidas usavam antea da Leila Diniz; do Pinochet e do Stroessner; de um tempo em que ninguém podia ir a Cuba, em que o Globo era do mal e o JB era do bem; dos meus tios comunistas cantando "quem sabe faz a hora, não espera acontecer", chamando os filhos para irem embora da casa do meu avô, que era da direita católica; das primeiras eleições para governador ("Nem Miro nem Sandra, e pra ser Franco, nem Moreira. PT Saudações, voto em Brizola", era isso que diziam); da volta do Gabeira, de tanga de crochê em Ipanema; da campanha pelas Diretas e da emenda Dante de Oliveira, rejeitada no dia do meu aniversário; do julgamento do Doca Street; das pichações nonsense LERFAMÚ e Celacanto Provoca Maremoto; das pessoas que diziam "golpe" e das pessoas que diziam "revolução"; da proibição dos grêmios escolares, que eu só soube que existiam quando avisaram que estavam liberados; do Renato Russo e os filhos da revolução; da minha amiga que tinha "pai desaparecido"; da Casseta e do Planeta, que eram turmas diferentes (as duas tinham graça).
Lembro de tudo isso. Esse post foi escrito de memória, sem consulta ao Google, a livros, a jornais, após assistir Zuzu Angel no cinema, que, by the way, adorei. Confesso que vivi.
-Monix-
11:13 AM
Segunda-feira, Agosto 14, 2006
Mangueira 2007
Pode não dar em campeonato porque entre o enredo e o desfile propriamente, muita água rola embaixo da ponte. E como diz o sábio Gérson, uma coisa é uma coisa; outra coisa é outra coisa. Mas vejam se não é belo e promissor o enredo da Manga pro ano que vem:
Minha pátria é minha língua, Mangueira meu grande amor.
Meu samba vai ao Lácio e colhe a última flor.
Eu a-m-e-i.
Helê
PS: Rê, vamos sair na ala das tradutoras? :-D
11:19 PM
Filhas Corujas
Dá licença da gente babar um pouquinho - não as nossas crias mas as nossas mentoras?
Ontem na Gabi elas foram charmosas, inteligentes e sedutoras (as usual), falando sobre o Mothern, as motherns e as aventuras da mathernidade. Uma delícia.
Reprises da entrevista no GNT:
Ter 15/08 22:30h
Qua 16/08 04:00h
Qua 16/08 15:00h
Qui 17/08 10:00h
Sáb 19/08 10:30h
Duas Fridas
Atualizando: fotos tiradas pelo Du, fathern e maridón da Naty.
11:15 PM
Domingo, Agosto 13, 2006
Cariocas
Trilha Sonora no Dufas Dial
O nosso novo colega digital Marcos VP escreveu um post listando as dez características dos cariocas que mais o irritam. Nós somos cariocas convictas, daquelas que se orgulham da cidade apesar (e um pouco por causa) dos defeitos. Nossa primeira reação foi com o fígado: como alguém pode escrever tantas coisas desagradáveis sobre os cariocas, logo os cariocas, tão bacanas?
Mas temos que admitir que o Marcos tem alguma razão. Embora achemos que ele está sendo ligeiramente mal-humorado, os defeitos que ele aponta de fato existem. Vestimos a carapuça, pronto. (Mas só em parte, porque na verdade muito do ele diz se aplica aos brasileiros em geral e não apenas aos que habitam a mui leal e heróica cidade de São Sebastião)
Mas, como cariocas são acima de tudo bem-humorados, resolvemos, se não virar o jogo, pelo menos empatar a partida. Nós amamos ser cariocas porque:
1. O carioca é irreverente. A gente sabe que as leis existem para serem cumpridas. Só que não gostamos de rigidez, não gostamos de ser engessados por mil e uma regras. Os cariocas do bem respeitam os outros, mas respeitam, sobretudo, seu espírito livre.
2. O carioca é exibido, não porque se acha melhor que os outros, como disse o VP, mas sim no sentido oposto, não aceitando que os outros sejam melhores que nós. Amor-próprio é a chave da questão. Já disseram que "o que é bonito é para se mostrar": nós acreditamos.
3. O carioca é ufanista porque gosta muito do seu próprio jeito de ser e adora quando suas invencionices e modismos são adotados em outros cantos de nosso continental país. Nós nos amamos tanto que queremos mais é democratizar a carioquice.
4. O carioca é original: gosta de ousar, de criar, de fazer as coisas de um jeito diferente. Uma das coisas que mais incomoda um carioca legítimo é saber que não se destacou na multidão. Ou, como dizem que disse Caetano Veloso, o problema do Rio de Janeiro é que aqui não se sabe onde acaba o palco e onde começa a platéia, or something like that.
5. O carioca tem jogo de cintura. Se as circunstâncias estão adversas, inventamos uma maneira de reverter o quadro a nosso favor. A gente sabe que nem sempre as coisas são fáceis, e por isso mesmo nos preparamos para contornar as dificuldades. Nem sempre a gente consegue, mas ninguém pode dizer que desistimos antes de tentar.
6. O carioca é deslumbrado. Estamos mal acostumados com tanta beleza, providenciada pela natureza ou construída pelo homem. Seja no Pão de Açúcar ou no estádio do Maracanã, na Floresta da Tijuca ou na Cinelândia, no bondinho de Santa Teresa ou na Praia de Ipanema, na Central do Brasil ou no Parque da Pedra Branca, na Casa de Burle Marx ou em Grumari e na Prainha, o fato é que a cidade mima demais seus habitantes. Nosso padrão de exigência pode ser meio alto, mas temos nossos motivos. Como já disse o paulista Ricardo Freire, viajante profissional, em seu antológico texto "Valsa de uma Cidade": Se algum dia me perguntarem por que eu viajo, eu vou responder: para ver se encontro algum lugar mais encantador que o Rio de Janeiro. Até hoje, não encontrei.
7. O carioca é animado. A cidade pede trilha sonora. Berço do samba, da Bossa Nova, do funk carioca, aqui acontecem shows bacanas, festas alto astral, bares lotados. Podem dizer que nos últimos anos o movimento à noite diminuiu por causa da violência... Vá à Lapa numa quinta à noite, ou ao Artplex num sábado, ou a qualquer baixo da moda, ou a Vila Isabel. Depois a gente conversa.
8. O carioca é relax. Dizem que as cidades praianas costumam ter uma população mais "descansada" que as demais. Aqui vivemos numa metrópole à beira-mar, e a característica balneária se espalhou por todos os bairros, mesmo os que não recebem a brisa marítima. Cariocas têm pressa, sim. Trabalham, e muito. Espremem-se nos ônibus e trens e encaram horas e horas de deslocamento todos os dias. Mas nossa tranqüilidade existencial não pode e nem deve ser roubada de nós. Assim esperamos.
9. O carioca é otimista. A gente sabe que a cidade está suja, mal cuidada, que as empresas estão indo embora, que os empregos estão acabando. Quase todo carioca de classe média conhece pelo menos dez conterrâneos que se mudaram para São Paulo a trabalho e não voltaram mais. Muitos fazem planos de partir em breve. Mas e daí? Só porque a vida está ruim, a gente vai deixar de ver o lado bom das coisas? Ser feliz aqui e agora não é um dos preceitos do zen-surfismo? Cariocas preferem acreditar no melhor. E acreditam.
10. Por fim, ser carioca é pra qualquer um. Porque na verdade essa história de "o carioca é assim", "o carioca é assado" é tudo generalização, e da grossa. Cada carioca é de um jeito, cada baiano é de um jeito, cada novaiorquino é de um jeito e por aí vai. Por outro lado, é verdade que os habitantes das cidades criam uma certa afinidade cultural e de comportamento. Aqui, o espírito carioca nos permite acolher de braços e coração abertos os forasteiros que escolhem nossa cidade para viver e amar. A lista de cariocas adotivos e honorários ganha novos membros toda semana, todo mês, todo ano. Se um dia o Marcos VP quiser mudar de idéia, a gente pode até chamá-lo de carioca - isso é, se ele não se ofender. ;-)
Aish Duaish Fidaish
11:48 PM
Dia dos Pais
Para Pais, filhos & demais interessados, uma seleção bastante diversificada no Dufas Dial. Não perca - e comente, se possível.
Helê
11:24 PM
Sexta-feira, Agosto 11, 2006
A Juliana foi minha colega de faculdade, o Leo Aversa eu só conheço de nome. A experiência dos dois em campos de refugiados da África está rendendo ótimos posts no blog do Globo Online. (Infelizmente é só para cadastrados, mas se você tem interesse no tema vale a pena preencher o que eles pedem.)
-Monix-
6:39 PM
A Ângela acabou de mandar a dica: o site Global Voices, um projeto da Universidade de Harvard, criado para reunir as conversas e idéias mais interessantes surgidas ao redor do mundo nas diferentes formas de "mídia participativa" (blogs, fotologs, podcasts e outros). É a comunidade das comunidades da blogosfera, tipo assim.
Hoje a homepage do site é sobre a comunidade de Mommy Bloggers brasileiras, ou seja, as Motherns e seu blog ring, ao qual pertence o Duas Fridas junto com tantos outros blogs bacanas. Minha receita para dançar sem parar está lá. :-)
E assim continuamos rumando em direção à conquista do mundo. Motherns, uni-vos.
-Monix-
2:39 PM
Bom, a essa altura já deu pra notar que nenhuma das Fridas gosta muito da idéia de votar nulo.
Não é fácil escolher, mas desistir antes de tentar? Coragem, homens e mulheres do Brasil varonil.
Não que o Jornal Nacional seja lá o melhor parâmetro para se avaliar nada, mas pelo menos é um ponto de partida. Como dizem as pesquisas, os brasileiros em geral decidem seu voto assim: primeiro presidente, depois governador, depois senador e deputados, federal e estadual. Então boralá começar pelo começo:
Entrevista com Heloísa Helena, candidata do Psol
Entrevista com Cristovam Buarque, candidato do PDT
Entrevista com Geraldo Alckmin, candidato do PSDB
Entrevista com Lula, candidato do PT à reeleição
Agora, se depois de se informar devidamente você continuar decidido(a) a anular seu voto majoritário, claro que é seu direito. Mas tem certeza que não quer votar pelo menos para senador? Deputado? Nadinha? Nada mesmo?
Monix, a mala pré-eleitoral
11:06 AM
Quinta-feira, Agosto 10, 2006
Breves
*Síndrome de Nossa Senhora, ou SNS, é você sair correndo da banca de jornais porque começou a chorar (e a rezar) pelo menor prematuro nascido no Rio, que resiste há sete dias (e resistirá!). Mesmo sem ter a menor idéia de quem são os pais da criança, nem ter nenhuma ligação, ainda que remota, com o caso.
* Nada pessoal, mas achei esse desenho aqui e decidi postar, pra não perder totalmente o táimin e pra homenagear meu amigo Ary Moraes, dos mais talentosos colegas de faculdade:
* Monix, o que o seu pé ta fazendo lá na Fal?! (O ciúme, de novo.)
*Ah, e um texto sobre amor no Empadalheia.
Helê
Sócia, meu pé foi passear, mas mi corazón continua aqui. :-)
(Não sei bem porquê, mas o link está levando pros pés da Ana Paula. Tudo bem, ficamos em família.)
-Monix-
2:01 PM
Quarta-feira, Agosto 09, 2006
Tem julices fresquinhas lá.
Mãe da Júlia
6:04 PM
Nulo não
Parodiando mi Sócia, vou pegar emprestado de outra pessoa, o Fausto, minha exlicação pra não votar nulo:
Melhor, muito melhor do que votar nulo é escolher direito. Dá o mesmo trabalho e vale mais a pena.
Helê
12:44 PM
Terça-feira, Agosto 08, 2006
Questionário/Fw
Peguei na Marina W.
Sonho de consumo: No momento, um carro novo, um palmtop e um notebook. Coisa pouca.
O que você gostaria de fazer antes de morrer? Muitas coisas, mas a lista oficial está aqui.
Qual seu ideal de felicidade? Reduzir minhas auto-expectativas, basicamente.
O que você considera sexy? Olhares que devoram.
Prato predileto: Comida. (hohoho)
Medo: De me sentir paralisada de novo.
Disco: Hoje? Cássia Eller, Veneno Antimonotonia, em MP3.
O que você pagaria para não fazer? Faxina. Pagaria, não: pago.
Que loja você gostaria de assaltar? Fala sério! Eu sou uma mulher honesta!:P
Jogo: Qualquer um que eu esteja ganhando.
O que você nunca comeria? Rã. Eca.
O que mais te atrai? A atração em si.
Como você gostaria de morrer? Bem, sobre isso já falei em outro questionário desse tipo: não sou tão control-freak a ponto de querer estabelecer como vou morrer. Morrerei, apenas.
O que você está lendo? A coleção do detetive Montalbano (do italiano Andrea Camilleri), que acabei de descobrir.
Como você se definiria? A Helê é que sabe: eu sou a outra.
-Monix-
6:01 PM
Tudo começou no já (de)cantado em verso e prosa encontro da quinta-feira passada. O Alex Castro disse que não sente ciúmes. Todos riram, mas eu fiz uma pergunta movida por legítima curiosidade: "é verdade"?
***
Costumo dizer que não sou ciumenta, a não ser que me dêem motivo. O que, obviamente, é uma piada. Porque sem motivo é bem mais fácil não ter ciúmes. Pelo menos em termos - conheço muita gente que tem ciúmes imaginários. Uma amiga proibia o (ex) marido de usar perfume para ir trabalhar. E separava roupas que ele só podia usar para sair com ela. Há homens que agem de forma semelhante.
Não sei se é meu ascendente em Aquário, mas sempre fui muito independente e detesto dar satisfações da minha vida para quem quer que seja. Por conseguinte, também não as peço.
Mas já me deram motivo. E fui forçada a me confrontar com a "flecha preta" do ciúme. Não foi um espetáculo bonito, embora inevitável. Mesmo uma control-freak de carteirinha como eu sabe que os sentimentos estão lá. Como um rio que não pode ser transposto nem domado, diz o texto que a Vera indicou nos comentários.
O que importa é que, gostando ou não, aprendi que o que a gente sente é nosso e ninguém tasca. Não remo mais contra a correnteza, poupo esforços inúteis. Deixa o rio correr.
-Monix-
11:19 AM
Da série I love my Inbox:
vc sabe, eu sou catolica. se me arrependo, tenho perdaaao
Não, nem que eu desse 15 chances, você nunca iam adivinhar a autora da frase. Ou iam?
-Monix-
10:39 AM
Segunda-feira, Agosto 07, 2006
Ainda a quinta
La Outra postou as fotos do encontro, publicamos aqui uma resenha da noite memorável e agora a trilha sonora rola no Dufas Dial, aguardando audições e comentários, lá ou cá. Mas ainda é preciso dizer que:
- O Alex Castro é uma figura: divertido, afiado, loquaz e polêmico. Assim como o blogue dele, só que mais suave (embora seja uma leitora bissexta, confesso).
- A Marina W. também guarda semelhanças imensas com seus posts: elegante, inteligente e muito bem-humorada - de um humor nada óbvio, mas sutil e freqüente.
- Marina e Alex sentados lado a lado formaram a dupla mais interessante da noite.
- Se bem que o casal da noite era formado pela Ana e pelo Idelber, sem dúvida. Ela, linda, com uns olhos inacreditáveis, misturando simpatia e mistério na dose exata pra encantar a todos. Ele, o cicerone perfeito, o companheiro atento a deixar brilhar a protagonista da noite e alguém que cumpre tudo o que promete no blogue: conhecimento sem arrogância, fineza sem afetação, generosidade genuína e um jeito quase carioca de estar e deixar à vontade quem está perto, como estivéssemos sempre estado juntos.
Ah, esse povo de Minas, sempre a nos encantar...
Helê
PS: Depois desse evento Las Fridas conheceram dois dos 15 top sexy blogueiros; só faltam 13, hohohoho!
PS: Se você não conhece ninguém citado nesse texto nem se interessa, mesmo assim não deixe de passar no Dufas Dial. Afinal, as canções são sobre Ciúme, e quem nunca sentiu (ou nunca foi alvo de), que atire a primeira etc.
4:03 PM
Conforme prometido, temos fotos do encontro blogueiro da semana passada... digo, do lançamento do livro da Ana Maria. Que, por um mero acaso, acabou em chope no Belmonte. :-)
Confiram aqui.
-Monix-
1:22 PM
Receita para dançar sem parar após os 35 anos
Ingredientes:
1 babá quase perfeita
1 carona de ida e volta
4 ou 5 taças de prosecco
água à vontade
Modo de fazer:
Poupe suas energias ao longo do dia, chamando a babá de manhã e deixando-a brincar com seu filho de 4 anos recém-completados. (Ele não vai gastar nem um dia a mais de análise porque a mamãe passou um sábado lendo na cama - talvez alguns dias a menos.) Vá de carona com o casal mais animado da festa, e assim garanta que será a primeira a chegar e a última a ir embora. Beba o prosecco todo de uma vez, antes de começar a música-pra-dançar. Vá pra pista. Pare a cada 5 ou 6 músicas e beba um copo d'água. Vá bastante ao banheiro, por motivos óbvios. Prepare-se para encarar o day after com dignidade.
Rendimento: 5 horas sem sair da pista
-Monix-
Update depois da Fefê: a trilha sonora desse post já passou por aqui. Se ela dança, eu danço...
12:35 PM
Sexta-feira, Agosto 04, 2006
Hoje fazem quatro anos que sou mãe. Viva meu filhote, que já se acha um rapazinho.
:-)
-Monix-
5:42 PM
A noite da Ana Maria foi sensacional. Encontros de blogueiros são sempre ótimos. Claro. As pessoas mais interessantes do mundo, juntas, com o explícito propósito de se conhecerem e se apresentarem. Não tem como dar errado, não é?
Acabamos no Belmonte, relutantemente nos retiramos às duas da manhã, porque alguns de nós precisávamos trabalhar hoje. Na mesa, nosotras, acompanhadas pelo nosso Dieguito, e a nata da nata, porque a gente é mesmo muito sefazente de importante: a autora, Idelber, Marina W. e Alex Castro.
De brinde, conhecemos o encantador Gejfin (nome que o erudito Idelber nos ensinou a pronunciar, de primeira), a doce Telinha e a por-enquanto-desblogada Viva. Havia também outros blogueiros adoráveis, com quem que infelizmente não conseguimos conversar. Fica pra próxima.
Temos fotos, semana que vem mostramos.
11:22 AM
Ressaca é uma merda.
De manhã, passei creme para cabelos nas pernas, em vez do hidratante.
E olha que eu nem bebi tanto assim.
-Monix-
11:14 AM
Se lembra quando a gente
Chegou um dia a acreditar
Que tudo era pra sempre
Sem saber
Que o 'pra sempre' sempre acaba?
-Monix-
11:14 AM
Quinta-feira, Agosto 03, 2006
Pesquisa derruba mito de que tecnologia assusta as mulheres
Adorei. Tá lá no Blue Bus.
Monix, super cyber
5:01 PM
Lisbela
Desde ontem essa música não sai da minha cabeça porque a doce Naty ganhou uma sobrinha chamada Lisbela (irmã gêmea do Othon). E eu adoro a canção desde a primeira vez que ouvi, me dá uma vontade danada de me 'daná por essa estrada mundo afora'; um saudade do nordeste que eu trago no DNA!... E pra completar a BethS ainda botou Gonzagão pra tocar na vitrola dela, então eu achei que combinava e botei lá pra vocês apreciarem: Trio Forrozão no Dufas Dial.
Helê
12:41 PM
O lançamento do livro da Ana Maria Gonçalves é hoje.
Um defeito de cor, na livraria Argumento (Leblon), às 19h.
estaremos lá.
Fridas
11:36 AM
Sou contra o voto nulo. Questão de princípios, para não dizer que acho bobagem mesmo. É um voto tão democrático quanto qualquer outro, mas tenho medo das pessoas que anulam. Elas não tem senso de humor.
Assinando embaixo,
Monix
11:34 AM
Quarta-feira, Agosto 02, 2006
Pessoas, chegou a hora da praia.
-Monix-
PS diretamente da minha Inbox:
monca, vendo o jornal ontem, alexandre decidiu que fidel não tem nada disso que estão falando, ele está é fazendo charminho pra vc voltar, hahahaha.
:0))))))
fal
2:10 PM
Terça-feira, Agosto 01, 2006
Rio de Janeiro, agora é oficial: onde o céu azul é mais azul.
-Monix-
4:22 PM
Semana Mundial da Amamentação - Blogagem coletiva
Quando a Denise Arcoverde convidou pra entrar nessa roda, a primeira e única contribuição que me veio à mente foi essa foto aqui:
Não é uma foto "clássica" de amamentação: com uma luz suave, a mãe sorrindo linda e loura num robe de seda, sem pai. Mas é uma das fotos que eu mais gosto (e olha que o que não me falta são fotografias, principalmente da minha filha). Porque retrata um momento íntimo, difícil e por isso mesmo único e marcante, desses que ajudam a consolidar uma relação.
Nessa foto minha filha Júlia devia ter 2 ou 3 dias, e amamentar doía, principalmente na primeira pegada. E o Luciano fazia o que podia, que era deixar eu esmagar a mão dele enquanto a bebéia começava a mamar.
Incentivar a amamentação não significa mentir, gente: às vezes dói. Pra umas mais, pra outras menos, outras ainda nunca. Mas pode doer, principalmente no começo, porque aquela é uma região do corpo muito sensível e protegida que de repente passa a ser sugada de hora em hora.
Nada que não se possa suportar e superar, até porque é muito pouco tempo, o corpo se adapta muito rapidamente - muito mais que a cabeça, que leva tempo pra se adaptar à condição de mãe (a minha tenta se adaptar todo dia, veja você). Omitir isso é contribuir, acho eu, pro MM (Mito da Maternidade), fortalecendo padrões globais de maternidade e beleza em que tudo é lindo, limpo, rosa e indolor. Nananinanão. Mas é fascinante, sempre - cada um do seu jeito.
Helê
***
Eu também tive dificuldade no início da amamentação. Para mim, ficou claro desde o início que era um aprendizado mútuo: eu não sabia amamentar e meu filho não sabia mamar. Tivemos que nos ensinar mutuamente. Foi minha primeira grande lição da maternidade, que no fundo tem tudo a ver com o instinto de preservação da espécie: se a mãe não aprendesse a decodificar os sinais do filho,e se o filho não aprendesse a transmitir seus sinais para a mãe, a espécie teria se extingüido milhões de anos atrás. Amamentar não é natural, nem instintivo. Mas pode ser bastante intuitivo, se mãe e filho estiverem na mesma sintonia.
Depois de superar os primeiros dias, em que o pequeno bichinho que saiu da minha barriga não conseguia administrar sua ansiedade e meu colostro não tinha ainda se tornado o leite abundante que ele desejava, a rotina começou a se implementar. Meu filho teve refluxo, e por isso mamava pouco a intervalos irregulares e curtos. Some-se a isso um bico invertido e o resultado será uma mãe exausta.
Mas (sempre tem um mas), como já dissemos no post sobre o Mito da Maternidade Instantânea, a intensidade de certas emoções que vêm junto com a maternidade é impossível de explicar, por isso a gente acaba se prendendo aos "aspectos operacionais", que, como tudo mundo sabe, são foda. Esqueçam tudo o que a gente falou, todas as verdadeiras verdades sobre as dores de amamentar. Por mais que eu viva, por mais experiências que se passem comigo, não consigo imaginar nenhuma emoção mais intensa que o prazer de dar meu próprio leite ao meu filho.
-Monix-
Minha felicidade em amamentar era tão grande que, quando se aproximou o fim da licença maternidade, não conseguia nem imaginar o que seria abrir mão precocemente daquela experiência. Graças ao meu ex-marido, que na época era meu parceiro de contas e planos, tive o privilégio de poder abrir mão da segurança de um emprego fixo em prol dos seis meses exclusivos no leite materno. Nosso filho se beneficiou, e três meses depois eu estava recolocada no mercado. Final feliz.
11:38 AM
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