Sexta-feira, Setembro 30, 2005
Botando Lenha na Fogueira
Ontem encontrei uma mãe recém-separada, de classe média, que me disse: fiquei muito sobrecarregada depois da separação. Parece que ela nunca imaginou que estaria tão sozinha. É que por mais que o ex-marido, ou, de maneira geral, o pai da criança, se envolva, se interesse, participe, a dura realidade só as mães conhecem - o filho é da mãe. (Eu sei das exceções, eu sei.)
A BethS escreveu sobre sua experiência num grupo feminista. A partir do texto dela, me lembrei de uma pesquisa (falei sobre isso aqui no blog, em outro contexto) que indicava um número expressivo de mulheres responsáveis pelo sustento da família. No Brasil pós-urbanização, as mulheres é que vêm puxando a carroça, há anos. Em todas as classes sociais.
Então, desde anteontem tenho pensado nessa questão dolorosa. Quase todo mundo que escreveu a favor do aborto na blogsfera citou a dor de toda mulher minimamente sã ao se deparar com essa escolha dura, cruel, difícil. Sempre ouvi, a favor do direito de decidir, que "o corpo é da mulher". Mas não é só do corpo que estamos falando. É também da alma.
-Monix-
PS - Foi difícil decidir publicar este post, que nem é tão pessoal assim. Mas sabem por quê? Me dei conta depois de pensar um pouco. Ganha um doce quem descobrir. É que é meio proibido tratar de um tema tabu como aborto falando, no mesmo texto, sobre filhos.
4:09 PM
Quarta-feira, Setembro 28, 2005
Sobre aborto
Uma das coisas que mais me incomoda sobre o aborto é justamente o silêncio sobre o assunto. Porque mexe no róseo porém tirano ''mito da maternidade''; porque somos um um país supostamente católico, e um povo sobejamente reprimido; porque nosso laico estado confunde crime com pecado, entre outras razões, o aborto é um dos maiores tabus da sociedade brasileira.
Tanto assim que mesmo os espontâneos e involuntários são aprisionados no baú dos segredos familiares, do qual só muito rara e rapidamente são libertos, para consolo breve de alguém com dor similar. Quando eu, depois a avisar a meio mundo que estava grávida do primeiro filho, tiver que comunicar que o embrião não se desenvolveu, fiquei muito surpresa. Não com a solidariedade e com o carinho, mas com a enorme quantidade de casos semelhantes ocorridos com pessoas conhecidas - parentes até - sobre os quais nunca se ouviu sequer um suspiro.
Depois de saber desses casos reais e próximos, aquilo que, dito pelo médico, pareceu apenas consolo, fez todo sentido: que isso é absolutamente normal; que cerca de 30% da gestações não chegam a termo (talvez a porcentagem seja ainda maior quando da primeira gravidez); que não traz necessariamente nenhum problema para a gestação seguinte, etc.
Sei que a discussão sobre a legalização do aborto não compreende este aspecto, mas se não podemos falar sequer sobre os abortos acidentais, como poderemos debater outros quaisquer? Ninguém minimamente razoável passa incólume pela experiência de um aborto, seja de que natureza for. Dói pra todo lado, e a cicatriz fica pra sempre. Mas negá-la ou sublimá-la não ajuda quem passou por isso, nem que está por passar, nem quem pode passar um dia. E ninguém pode estar certo de que jamais se envolverá nessa situação - direta ou indiretamente, seja homem ou mulher. Falemos, pois.
Helena Costa
8:33 PM
28 de setembro é o Dia pela Descriminalização do Aborto na América Latina e Caribe. O mote deste ano é: aborto - a mulher decide, a sociedade respeita, o Estado garante. A discussão, como tinha que ser, está na web:
Diário Vermelho
Nós na Rede sobre Aborto
Dossiê Aborto Inseguro
Ato Público das Católicas pelo Direito de Decidir
-Monix-
2:24 PM
Pessoas,
Ontem não postei cumprindo ordem da Rainha, que decretou feriado oficial no Reino da Opinião Não-solicitada. Não obstante, súditos e visitantes ocasionais estiveram aqui e em diversos recantos do ciberespaço deixando presentes de todos os tipos, tamanhos e formas - posts, recados, comentários, livros... E eu fui muito feliz. Obrigada por cada palavra e vibração positiva endereçada a mim. Chuvas do mesmo bom pra todos vocês.
Helê, versão 3.6
12:23 PM
Terça-feira, Setembro 27, 2005
Poesia numa hora dessas?
Ela me entende (quase) mais que eu mesma
Me atende (ainda) mais que eu mesma
Me defende (sempre) mais que eu mesma.
Improvável cara-metade, sócia na aventura-blogue,
amiga, confidente, e parceira de vestuário:
Helena, feliz aniversário!
-Monix-
12:45 AM
Segunda-feira, Setembro 26, 2005
Rapidinha
Sabem como se diz ''brainstorm'' no interior?
Toró de parpite.
Helê
11:41 PM
Recados da Terra da Garoa
Fal, seus gatos são os mais gostosos, seu marido é o mais querido, seus livros são os mais invejáveis, sua mãe é a mais bacana e você é a mais fofa.
***
Vera, faça o favor de ganhar na Mega-Sena, eu quero aquele emprego.
***
Verdade Universal Masculina: com os homens, de fato, a gente precisa S-O-L-E-T-R-A-R.
***
Tô apaixonada.
***
Amo muito minha vida no mundo blog.
-Monix-
8:52 PM
Trânsito Natalício
Uso a bolsa que ilustra o post anterior bem menos do que o texto faz supor. Acontece que nos últimos dias o Cabôco Gastadô encostou em mim e não sobe por nada. Suspeito inclusive que o Cabôco esteja mancomunado com os Erês, já que nasci no dia de Cosme e Damião. Talvez por isso eu seja tomada, no período próximo ao meu aniversário, por uma volúpia infantil de ter satisfeitas todas as minhas vontades. Então o monstro hedonista que mantenho a pão e água no porão escapa, assume o controle e se refestela no sofá da sala. E tudo que a sensatez e o orçamento cerceiam nas CNTPs (condições normais de temperatura e pressão) fica temporariamente permitido, ou tremendamente difícil de resistir. Sabe aquela imagem do anjinho e do diabinho brigando, cada um em um ouvindo, ditando ordens antagônicas? Pois nessa época meu anjo ganha chifres e o diabo, asas, e eles ficam assim, ó, amicíssimos. E sussurram em uníssono o mesmo mantra: ''Você merece, você merece, você merece!''
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Não é gastar por gastar, consumir sem pensar; apenas uma férrea necessidade satisfazer meus desejos - que neste mundo capetalista e pra esta alma materialista, envolve grana muitas vezes, direta ou indiretamente. Quando não, há outros perigos porque, como o rei Roberto, muito do que eu gosto é ilegal, é imoral ou engorda. Posso terminar a semana falida, presa ou rolando. Mas satisfeita, pelo menos.
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Uma das coisas chatas de envelhecer é que a gente tem que virar o nosso próprio pai. Transferem pra gente responsabilidades chatíssimas: controlar o que come, o que diz, quanto gasta - a gente quer e a gente nega; nós com nós mesmos! Isso é muito duro, viu?, filho e pai na mesma pessoa. Nesses meus trânsitos (ou seriam transes?) o pai só paga - vira avô.
foto: Adenor Gondim
Trilha sonora do post:
O Erê, Cidade Negra
Erê, Carlinhos Brown (Canções curiosas, Palavra Cantada)
Ilegal, imoral ou engorda, Roberto e Erasmo
Helê, ainda em versão 3.5
12:26 AM
Sábado, Setembro 24, 2005
Post mulherzinha
A pessoa quando quer gastar inventa de um tudo pra justificar a gastança. Eu, por exemplo, quase sempre me convenço que economizei após uma compra. Assim, ó: entro na loja e separo 3 blusas, 2 saias, 1 vestido. Faço um cálculo de cabeça de tudo aquilo, muito por alto e muito pra cima, e concluo que minha compra custará, vamos supor, uns 500 reais. Entro na fase de negociação cerebral: tenho esse dinheiro? Não. Mas se eu dividir em zentas vezes, com um cheque pré e um pra (pra daqui há um tempão)... Então eu me conscientizo de que vou gastar quinhentas pratas, paciência. Aí vou provar e o vestido não fica como eu imaginei (menos 150 reais); uma das saias parece muito com outra que eu já tenho (- 80 reais - ôba!) e uma das blusas está com um defeito(-R$ 50!!). E voilá: saio da loja satisfeitíssima porque comprei 2 blusas, uma saia e ainda economizei 220 reais!
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E tem o outro prazer que é mostrar as compras. Assim como alguns homens precisam contar suas conquistas para os amigos, algumas mulheres não se contentam em comprar, nem em conseguir uma fantástica promoção: elas precisa contar isso pra outras mulheres:
- Tá vendo essa bata? Comprei por R$9 na IpisylonZê!
- Jura?!?!
- Demais, né?
- Arrasô, menina!
Faz parte do feminino - tá bom, tá bom, não generalizo: faz parte do ritual de certas fêmeas de muitas tribos - e eu faço parte de uma delas. Porque chegar em casa com aquelas coisas ma-ra-vi-lho-sas e guardar no armário assim, sem um comentário, é a morte. Pior que isso só cair na asneira de mostrar pro marido - que não vai valorizar sua economia, não vai dar nenhum gritinho pela blusa féxion e pior, quando você falar da mega-oferta de nove reais periga ele dizer ''Tudo isso?!''. O código penal prevê pena de 1 a 3 dias de abstinência nesses casos.
Helê, num momento mulherzinha descontrol
10:59 PM
Antes tarde
O Equinócio Vernal
Duas vezes no ano, dia e noite têm a mesma duração. Para os antigos, esse era o tempo ideal para que as sementes fossem plantadas. O equinócio vernal simboliza um tempo de renovação, tanto na natureza quanto no lar. Mais que o esforço físico, a limpeza da primavera remove toda energia negativa acumulada durante os escuros meses de inverno e prepara a casa para o aumento da energia positiva da primavera e do verão.
Equinox and Solstice.com (TT - tradução tosca)
Embora não façamos mais rituais de celebração e agradecimento à chegada das novas estações, não deveríamos vemos viver como se elas não nos afetassem.
Portanto, boa semadura e primavera pra todos.
foto: Silvio Bahiana
Helê
Trilha sonora do post: 'Primavera', Tim Maia.
1:32 AM
Quarta-feira, Setembro 21, 2005
A Cora já ensinou ao mondo blog o axioma de Millôr: "não se amplia a voz dos imbecis". Ela concorda:
Pois eu cada vez mais me convenço que tudo pode ser explicado a partir de exemplos da sala de aula. Esse negócio de ampliar a voz dos imbecis, por exemplo. É claro que não leva a nada, só aumenta a imbecilidade. Mas é irresistível, a gente acaba morrendo de rir com as repercussões da imbecilidade humana. É como com os alunos de 5a e 6a séries: eles sabem que precisam se calar. Uns começam a ficar nervosos porque querem e precisam ouvir a professora, que só vai falar quando todos estiverem calados. Aí começam: cala a boca! porra, meu, fica quieto! ai, caralho, cala a boca! pssttt! cala a boca! cala a boca! cala a boca! E não adianta a professora falar que se cada um mandar o outro se calar, o barulho nunca acaba. Porque chega uma hora em que eles ficam fazendo de propósito para irritar e se divertir ao mesmo tempo. Igual a gente, quando amplia as vozes.
10:06 PM
Fatos e notas
O Ricardo Noblat escreveu outro dia que os escândalos surgem como lenços de papel numa caixa, um puxa o outro, infinitamente. A imagem também serve para ilustrar meu movimento pela internet: um link puxa outro, que puxa outro... Blogue então, nem se fala. Quase nunca consigo seguir a ronda dos meus próprios links; entro em um e sou atraída pelos links que encontro nesse, que me levam a outros e outros...
Nessa navegação à vela, ao sabor dos ventos digitais, freqüentemente encontro lugares interessantíssimos, muitas vezes sem saber como fui parar lá. Assim achei o site Song facts, que reúne exatamente isso, fatos sobre músicas. Fiquei sabendo que a belíssima e soturna Lady D'Arbanville foi escrita por Cat Stevens para uma namorada (que o deixou pelo Mick Jagger !); a música When I'm 64 foi escrita por Paul MaCartney aos 15 anos. Outra dos Beatles: tanto John quanto Paul consideravam In my life uma das melhores canções da dupla - e quem há de negar? O site informa também que Don MCLean nunca ''explicou'' a letra da comovente American Pie, deixando a interpretação ao gosto de cada ouvinte.
Até onde pude ir, o site apresenta falhas graves: faltam clássicos do calibre de My way (que, reza a lenda, foi feita para o Sinatra) ou Every time you say goodbye, de Gershwin. Tão pouco pode-se afiançar a idoneidade das informações, pois não há rigor acadêmico/científico na coleta e apresentação dos dados. Mas constituem, sem dúvida, uma fonte de informações e referências para pesquisadores - e um deleite para os amantes de música.
E não pude deixar de sonhar em realizar algo semelhante para música brasileira... Já pensou?
Helena Costa
12:20 AM
Segunda-feira, Setembro 19, 2005
Se é pra acabar em pizza, que pelo menos seja a melhor de todas.
-Monix-
11:59 PM
Bloguices
Depois de ler variadíssimas interpretações para a morte da Velhinha de Taubaté - uma delas acusando o Veríssimo de matá-la para ajudar o governo (!!) -; depois que eu li gente falando sobre a inadequação da campanha 'namore uma mãe solteira', alegando que parece caridade (!!!), só me resta aderir à campanha da Ângela:
Pelamor, entendam piadas!
E eu não vou lincar ninguém porque só linco quem eu gosto e concordo (uia, que ela acordou retada hoje!).
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Não estou levando nenhuma porcentagem na parada, é só pelo prazer de dividir boas dicas: no Blogarithm você cadastra os blogues de sua preferência e todo dia de manhã recebe um e-mail informando em quais houve atualizações. Li a dica no Belas Imagens, que se enquadra na minha categoria lincável, hahahaha!
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Não julgue um blog pelo primeiro post. Explore.
Encontrei no Fudido e Meio, que eu ainda não explorei o suficiente, mas tô lincando por concordar - para o bem e para o mal. Há amores à primeira visita, claro, mas já encontrei posts deslumbrantes que depois tornaram-se exceção em meio a textos medianos. E vice-versa. Navegar é preciso.
Helê
12:25 PM
Sábado, Setembro 17, 2005
Da série "Li e gostei muito"
Sandálias e Calcinhas
Um dia desses estávamos chegando em casa depois do trabalho e o Zé me pediu para ir à padaria. Eu disse que primeiro ia trocar de sapatos, meus pés estavam doendo porque as sandálias que eu estava calçando tem umas malditas fivelinhas que no fim do dia parecem pregos.
Quando desceu do carro ele olhou pros meus pés e disse:
"Bonita essa sandália, é nova?"
E eu:
"Nova? Faz uns três anos que eu comprei esse sapato!"(aliás, elas já estão mais prá lá do que prá cá)
"Eu não reparo muito nessas coisas, você sabe. Mas me pergunta a cor da calcinha que você está vestindo hoje que eu sei. É rosa."
Gente, pode isso? E eu só tenho uma calcinha rosa.
Pensando bem, fiquei lisonjeada. Dezoito anos e ele ainda repara na cor das minhas calcinhas. Há de se admirar uma coisa dessas.
Dani, no Pausa para o cigarro
Como eu já disse para a autora, é pra ficar mesmo; eu ficaria. Porque romantismo e tesão nem sempre estão onde nos ensinaram a procurar, mas sim onde os encontramos. E pra tanto, carece estar disposto e disponível para ser surpreendido pelo desejo nas dobras inesperadas do cotidiano...
Trilha sonora do post: Pecado Original, de Caetano Veloso
Helena Costa
11:44 PM
Para aqueles que ainda acham que o Katrina foi um acidente natural
"O aumento da intensidade e da freqüência de furacões no Caribe, as alterações nas chuvas e no nível do mar nas regiões costeiras da Argentina e do Brasil, a redução das geleiras na Patagônia e os Andes são fenômenos que mostram o impacto do aquecimento global na América Latina."
A afirmação - extraída de um relatório elaborado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e pela Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Naturais do México - deu o tom das discussões que marcaram a 10ª Convenção da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP-10), realizada em Buenos Aires, de 6 a 17 de dezembro.
(...)
A conferência foi marcada pelas críticas dos países em desenvolvimento aos países desenvolvidos - principalmente os Estados Unidos, que assinaram o Tratado de Kioto, mas não o ratificaram - de estarem fazendo poucos esforços para reduzir as emissões de gases que causam o efeito estufa.
Os EUA são responsáveis por quase 40% das emissões de gases do planeta, mas durante a reunião, seu representante, o enviado especial do Departamento de Estado dos EUA, Harlan Watson, não aceitou nenhum tipo de crítica: "Não somos os vilões desse filme. Estamos focados nas ações ambientais muto mais do que outros países que seguem o Protocolo de Kioto", afirmou.
Bom, se eles não são os vilões, quem será? Godzilla?
-Monix-
Fonte do texto: Revista Senac e Educação Ambiental, ano 13, n° 3, set/dez 2004
11:33 AM
Sexta-feira, Setembro 16, 2005
Fico puta com os caras que dizem não ter tempo para ler e ainda nos olham com superioridade do tipo "Eu queria ler que nem você, mas eu não tenho tempo". Ou seja, nos chama de vagabunda na cara dura, tem dó! Eu passo a madrugada lendo porque é o tempo que eu tenho. É uma escolha.
A Fal disse isso, e muitas outras coisas ótimas como essa, aqui.
Por falar em Fal, eu vou. E você?
-Monix-
10:58 AM
Quinta-feira, Setembro 15, 2005
Ciranda, cirandinha
Os ''meninos'' aceitaram o convite; o MSB (Movimento do Sem-Blogue) deu o ar da graça, muitíssimo bem representado pela Dedéia e pela Luisa, mas sofreu uma feliz baixa: a Mônica colocou suas idéias ao vento e inaugurou o blogue dela, entrando de vez na ciranda da blogosfera. Em resumo: foi uma delícia, gente; olha só os cirandeiros e cirandeiras que entraram na roda conosco:
E a ciranda continua, sempre que alguém quiser entrar a roda vai recomeçar...
Trilha sonora do post: "Ciranda de Lia" e "Cirandeiro"
Duas Fridas
11:31 AM
Quarta-feira, Setembro 14, 2005
Não comi pizza fria (nem no café da manhã nem no jantar), mas estou que nem o Zé: de estômago embrulhado.
Sério: pela primeira vez na vida tive a sensação física de náusea provocada pelo noticiário.
-Monix-
7:06 PM
Terça-feira, Setembro 13, 2005
Dissimulada
Eu, que faço aniversário daqui a duas semanas, queria ter a coragem da Clarice, que fez um post descarado no qual, além de avisar a data do aniversário com cuidadosa antecedência, pôs links para três listas de presentes. Se eu tivesse essa cara-de-pau colocaria uma só.
Helê, agradecendo o mote à libriana Clarice.
12:41 AM
Cleptopost, do Torpor
Não trabalhamos com coerência.
Pelo menos não o tempo todo.
Duas Fridas, concluindo o post anterior e introduzindo o próximo
12:34 AM
Segunda-feira, Setembro 12, 2005
Do processo de auto-exposição, ou "o trenzinho do meu ego"
Me perguntaram se não acho estranho escrever no blog, para pessoas que não conheço, não sei quem são, nem onde estão. Olha, na verdade eu nunca tinha pensado nisso, por incrível que pareça. Sou jornalista, e fui treinada para escrever com o objetivo de informar ao público, em tom neutro e objetivo, etc etc.
Quando comecei a namorar a possibilidade de criar um blog, o que me moveu foi a descoberta de um texto novo, que eu nem sabia que conseguiria escrever. Escrevendo, passei a conhecer emoções e opiniões que, mesmo sendo minhas, eu nunca soube que estavam lá. Passei a observar coisas do cotidiano com outro olhar. Passei a elaborar meus pensamentos de outra maneira. E é até meio envergonhada que confesso: passei a viver meio obcecada com o próximo post. Esse aí debaixo, por exemplo, me veio à cabeça no momento em que saí da loja de roupas, prontinho, com a álgebra metafórica e tudo; e é só pra vocês que eu conto isso, mas vim recitando-o mentalmente até chegar no trabalho e poder finalmente postar. Looouca, eeeeu? :-)
É claro que é muito legal saber que nossa "audiência" aumenta a cada semana que passa; que muita gente que não nos conhecia vem ao blog por links em outros blogues; que pessoas de vários cantos do mundo chegam até aqui. É bom demais ler os comentários, é bom demais receber e-mails, é bom demais saber que vocês estão aí. Mas a brincadeira começa aqui dentro, de mim para mim mesma.
Quem está chegando agora pode entender como tudo começou ou dar uma conferida na genial definição da Angela. Enquanto isso eu fico aqui pensando se existe alguém mais incoerente que eu nesse mundo. (A pessoa diz que escreve pra si mesma e passa três parágrafos conversando com leitores imaginários. Podem internar.)
- Monix -
6:18 PM
3 X 44 = 217
Três calças tamanho 44, por 217 reais, e o rombo no meu ego bem maior que o do cartão de crédito.
***
Cuidado com o que você deseja
Nunca pensei que viveria para ver Maluf na cadeia e Lula no Palácio no Planalto. Nunca pensei que veria... deixa pra lá.
-Monix-
2:54 PM
Domingo, Setembro 11, 2005
A brincadeira é tão deliciosa que pegou de jeito até nossas leitoras "desblogadas". O resultado? Confiram:
Esqueçam da linha e da agulha: não gosto de começar listas com um monte de ''não sei''. E além do mais, depois dos 30 eu descobri que sei muita coisa que achava que não sabia. Então: eu desenho e pinto mal, mas engano muito bem, e tenho ótimas idéias. Adoro cantar e dançar, mas posso poupá-los ao menos de me ouvirem. Gosto mais de fotos e de montar álbuns do que de fotografar - álias, com um olho que não foca, isso é mesmo meio complicado, salve as digitais! Leio compulsivamente, escrevo menos do que gostaria. Tecnologia? Tenho muita preguiça de entendê-las - eu sei de quase tudo um pouco, e quase tudo maaal... Mas me encanto quando ela traz pessoas de verdade para perto de mim. Cartas, tenho todas as que recebi, guardo com o mesmo amor: fotos, cartas, livros, tudo que é de papel e me traz de volta sentimentos e emoções. Louca por gostos e sensações, canceriana com ascendente escorpião: não pise nos meus calos, porque eu choro, mas também mordo onde sei que vai doer. Rio e choro por dentro e por fora, mais transparente que eu, não conheço. Pessoas e animais me emocionam, e tento cultivar uma relação com plantas que nunca foi além da primeira florada. Cabelos mais escuros, mais claros, curtos, compridos, mas tudo sem muita interferência. Peso sempre um pouco acima do que eu gostaria, mas um dia eu chego lá ¿ e fico. Boa de garfo, faca e colher, sempre pronta a auxiliar alguém mais dotado no fogão. Como mais do que bebo, mas é melhor assim. Conselhos, opiniões, pitacos na sua vida: não precisa pedir, eu vou dar de qualquer jeito. E de graça. E só vou ficar furiosa se você não segui-los se gostar muito mesmo de você. Dinheiro? Tenho, mas não devo gastar. Amo com o peito aberto, não consigo esconder mesmo. Gosto de sol, de lua, de temperaturas amenas. De água e montanha. Vivo no Rio, e luto desesperadamente para assim continuar. Também adoro caixas e laços, e mais ainda de presentes - de ganhá-los e de dá-los também, quase na mesma intensidade. Preciso de muita atenção, mas não se preocupe: se você não me der, eu mordo devagar até você lembrar de mim...
Dedéia
Não sei pregar botões, nem costurar, muito menos tricotar. Sou muito descordenada também para pintura, mas faço uns desenhos legais quando meu filho pede(os amigos da pracinha, os personagens preferidos,etc). Gosto de dançar e amo cantar. Sei quase todas as músicas de cor, mas sou desafinadíssima. Quase todo o tipo de música me agrada. Vou do clássico ao sertanejo, sem preconceitos. Fiz uma aula de violão na vida, mas achei chato. Tiro fotos compulsivamente e às vezes acerto em algumas. Adoro ler e escrever, e tenho feito os dois menos do que gostaria(um dia as fridas ainda me fazem ter um blogue). Guardo todas as cartas, fotos, bilhetes, muitos ingressos de teatro, shows, filmes... Pessoas e suas diferentes histórias me fascinam. Sou Capricorniana, ascendente em Virgem e lua em Touro. Dizem que sou terra, pé no chão. Mas sonho muito. Amo gente e bicho, não ligo para plantas. Faço luzes bem de leve. Estou sempre de dieta e agora estou um pouco acima do peso ideal(quase sempre acho isso). Rio fácil e muito. Por dentro e por fora. Boa de garfo, de "copo" e uma tragédia no fogão. Dou e peço conselhos. E quase nunca os consigo seguir. Já fui muito ciumenta mesmo, daquelas sem controle. Hoje estou bem melhor. Gosto de inverno com sol. Morei em São Paulo e em Paris. Mas considero o Rio, a minha cidade, o melhor lugar para viver. Para mim, viajar é uma das melhores coisas do mundo, só que morro de medo de avião. Devo algumas coisas. As importantes, pago impreterivelmente. Adoro dar e ganhar presentes, não gosto que cantem parabéns para mim. Amo minha vida e estou completamente apaixonada pela maternidade. Mas sou capaz de dar umas dentadinhas de vez em quando.
Luisa Prado
9:32 PM
Sexta-feira, Setembro 09, 2005
Chegou na minha inbox. A autora não será identificada, porque combinado é combinado, e nunca é caro nem barato.
Esta não é uma história de ficção. É vida real. Sejam gentis nos comentários, do outro lado da tela também bate um coração.
Para esta amiga de carne e osso eu tiro o meu chapéu, sempre.
Como enfiar sua vida no nariz (pra ser educada)
Deixe todos os seus amigos de lado.
Não vá ao baile de formatura de sua melhor amiga e dê tchau a uma amizade que vinha desde o pré.
Deixe que ele decida a roupa que você vai usar, pra onde você pode olhar e até o ar que você vai respirar.
Não faça o curso que você gostaria de fazer porque ele não pode te controlar de tão longe.
Na Faculdade, se isole, não cumprimente nenhum homem, muito menos converse e nunca vá a qualquer comemoração, mesmo que acompanhada dele.
No trabalho idem, e não se atreva a pegar carona.
Responda o interrogatório no final da noite: falou oi pra algum homem? Por quê? Conversou? Por quê?
Chore toda vez que ouvir um grito, um xingamento ou quando algum objeto é jogado longe.
Se case, mesmo assim.
Aos sábados, enquanto ele joga bola, limpe a casa, lave a roupa e quando ele voltar, esteja de banho tomado, linda, disposta e ainda coloque meias e faixas de molho, e arrume o restante da bolsa de futebol.
Seja babá/empregada o tempo todo, nunca tenha tempo pra você, seja pra descansar, pra malhar, pra ficar com a sua família.
Invente desculpas para protegê-lo.
Monix, fã das mulheres de verdade
10:51 AM
Quinta-feira, Setembro 08, 2005
Eu acho que o meu samba é uma corrente
Tudo começou lá, eu li acolá e resolvemos responder aqui.
A Beth falou:
Não sei bordar, não sei costurar, não sei tricotar, não sei crochetar, não pinto, não desenho, não danço, não canto e não toco nada, mas sou apaixonada por artes em geral. Fotografo masomenos, sei a teoria. Adoro ler. Amo tecnologia, mas sou fã de cartas. Louca por cheiros e sensações - sou taurina. Tenho um senso estético chatíssimo, chega a doer. Gosto de animais e plantas mais do que de gente. Cabelos sempre curtos e sempre acima do peso, sorrindo por dentro, pouca gente é capaz de enxergar. Boa de garfo e de fogão. Tenho muitos conselhos no bolso, nenhum dinheiro. Amo incondicionalmente, mas tenho calos doloridos, não pise. Gosto de frio, de chuva, da noite, da europa. Vivo no Brasil, a vida pode ser cruel. Devo, não nego, pago quando puder. Adoro caixas e laços mais do que presentes, dou mais do que recebo. Cobro atenção. Não mordo. E você?
Sei bordar ponto cruz mas não sei costurar, não tricoto nem crocheteio, mas fuxico horrores; só pinto o sete e as unhas, só danço músicas que gosto (então sento e levanto o baile todo) e tenho um violão, que eu posso tocar, embora não o faça; sou apaixonada por belezas, em geral. Fotografo muito, desisti da teoria quando senti o cheiro da matemática. Adoro ler e escrever. Gosto de tecnologia, mas só as que aproximam humanos; também sou fã de cartas - principalmente as ridículas. Louca por sons e imagens - sou libriana. Cultivo um senso de humor afiadíssimo, só dói quando eu não rio. Gosto de gente muito mais do que de animais e plantas, mas às vezes descuido dos três igualmente. Cabelos sempre finos e há muito tempo acima do peso, rindo pra fora, fácil de enxergar. Boa de garfo, inapta pra o fogão. Bebo mais do que como.Tenho muitos dedos no bolso, pouco dinheiro, conselhos mis. Amo descaradamente, mas não despreze meu amor que eu rosno. Gosto de calor civilizado, sol, estrelas, do Himalaya. Vivo no Rio, a vida pode ser bacana. Não devo - nego enquanto puder. Adoro caixas e laços, mas adoro mais os presentes; dou e recebo menos do que gostaria. Preciso de atenção. Não mordo - a não ser que peçam...
Frida Helê, a libriana
Costuro nada, prego botões mal, fuxico bem; desenho toscamente, mas com prazer; gosto de cantar e dançar, e quando começo não consigo parar; aprendi violão mas esqueci as canções; adoro música, desisti da teoria quando senti o cheiro da matemática. Fotografo muito, mais ainda depois da câmera digital. Nem sempre gostei de tecnologias, mas depois que elas se tornaram amigas dos humanos, me rendi. Leio e escrevo menos do que gostaria, embora já seja muito. Guardo (quase) todas as cartas e (grande) parte dos bilhetes que já recebi - mesmo os ridículos. Louca por palavras e sabores - sou taurina. Tenho um senso de direção que, segundo minha irmã, poucas mulheres têm. Gosto de gente, não gosto de bichos e confesso que só entendi gente que ama bicho depois que conheci a Fal e a Letícia. Nunca pintei meus cabelos muito grossos. Fui muito magra, ligeiramente gorda e agora sou só uma barriguinha sexy. Rio fácil, por dentro. Todos me acham seríssima, até eu fazer a milésima piada e eles entenderem. Boa de garfo, boa de fogão. Como mais do que bebo. Dou conselhos mesmo quando não me pedem, e até pouco tempo atrás não me conformava quando alguém ousava não segui-los. Só tenho ciúmes quando me dão motivo. Frio e fome me deixam temporariamente burra (e mal-educadíssima). Vivo no Rio, daqui não saio, daqui ninguém me tira. Mas preciso viajar muito, pra longe, e depois voltar. Devo, sempre, alguma coisa a alguém. Mesmo quando não devo nada. Adoro fazer caixas e dar laços. Adoro mais ainda ganhar presentes bem embrulhados. Mordo e assopro.
Frida Monix, a taurina
E você?
12:10 PM
Quarta-feira, Setembro 07, 2005
"E eu não tenho pátria, tenho mátria; quero frátria."
Caetano Veloso
10:49 AM
Terça-feira, Setembro 06, 2005
Mulher muderna
Hoje eu consegui incluir num mesmo diálogo desejos de ser hippie, de ser Gretchen e de esquiar em Aspen.
-Monix-
3:16 PM
Mosé & Casé
O quadro de Viviane Mosé no Fantástico, ''Ser ou não ser?'' é no mínimo interessante. Além de instigante e digno de registro e atenção, para ser cuidadosa com os adjetivos. Impossível não pensar que trata-se de uma ilha de bom-gosto e ousadia rodeada de mediocridade por (quase)* todos os lados. Eu não vi todos, mas todos os que vi deixaram em mim uma excelente e rara sensação, tratando-se de televisão: há ali alguém tentando, sinceramente, fazer algo diferente e bom para o maior número possível de pessoas. Chega a ser revolucionária a idéia de servir filosofia para o povão, o verdadeiro biscoito fino para massa (se me permite o respeitado Idelber). Por isso mesmo, deve ter acadêmico se revirando nos departamentos da vida (imagina a audácia, popularizar um privilégio tão caro a elite, pensar) e gente pronta a carimbar a iniciativa de demagógica. Eu não entendo o suficiente de Filosofia pra saber se o quadro faz jus aos conceitos filosóficos, mas ignoro o suficiente para gostar muito dele.
Só acho que neste último, em que ela citou algumas vezes Espinosa, sem explicitar que falava do pensador, deveria ter sido mais clara. Afinal, serviram como exemplos de conjunto e coesão o futebol e as escolas de samba, dando margem para que o telespectador desavisado lembrasse de outros Espinosas: o técnico (Waldir) e o carnavalesco Chico - também pensadores, cada qual a sua maneira.
***
*Ó, sim, eu digo quase porque tem outra ilha paradisíaco, no mesmo programa, que é o quadro da Regina Casé com as crianças. Aquele mulher tem o dedo bom, onde aponta sai coisa de qualidade, que respeita todos que participam - entrevistados e espectadores. Tudo isso sem esquecer o humor, esse luxo necessário. Numa levantamento mental rápido, não consegui me lembrar de nenhum programa dela que não tenha gostado (TV Pirata, Muvucão, Programa, Legal, Um pé de quê?, Cidade dos homens). No quadro atual ela se propõe a lidar com os interlocutores mais sedutores e envolventes, as crianças - que apesar disso, ou por isso mesmo, são difíceis porque espontâneos, imprevisíveis, manipuladores às vezes, dengosos e insinceros, eventualmente. Regina Casé evita o idiotizante tatibitate e o dispensável deslumbramento, mas também não resvala para a tentação de adultizar as crianças. Fica equilibrando-se com visível concentração e esforço, permitindo-se reações discretas e comentários pessoais, tentando não influenciar mas sem se anular. Uma delícia, em resumo.
Helé, querendo tirar uma casquinha do talento alheio..
12:15 AM
New Orleans
Já há bastante tempo a definição de blogue como ''diário virtual'' passou do prazo de validade, exceto para um ou outro jornalista desavisado (infelizmente são muitos...). Porque a blogosfera oferece estilos os mais variados e presta-se a serviços múltiplos, surpreendentes, comoventes até. Basta dar uma olhada no blogue do Idelber e emocionar-se com a angústia de quem viu sua ''segunda cidade'' submergir pela força da natureza e por incompetência humana quase tão poderosa quanto a primeira. No Biscoito Fino os números da tragédia, por si só chocantes demais, tornam-se rostos e surgem como o que são de fato: pessoas e suas vidas, relações, relacionamentos, histórias, projetos. A cada amigo localizado eu me emociono junto, ainda que New Orleans seja para mim apenas um daqueles destinos programados pelo desejo e adiados pela realidade. Eu me solidarizo aqui, Idelber, porque achei que nem deveria ocupar o espaço da caixa postal ou dos comentários, melhor aproveitados para apelos, notícias e análises. Sim, porque com o passar dos dias, a dor vai cedendo espaço à indignação e ao debate. E uma das muitas tarefas espinhosas que a sociedade americana tem pela frente é localizar ponto exato onde se separam fatalidade e negligência.
Helena Costa
12:11 AM
Sexta-feira, Setembro 02, 2005
A democracia frankenstein e a legalização do aborto no Brasil
* Por Alcilene Cavalcante, coordenadora do projeto Católicas em Campanha pela Legalização do Aborto da organização Católicas pelo Direito de Decidir
Em uma atividade sobre a questão do aborto, no interior de um salão paroquial, em uma dessas nossas andanças pelo Brasil, uma senhora que ouvia tudo atentamente, aproximou-se de mim, com os olhos lacrimejantes e um tom cúmplice, de quem sabia do que eu estava falando, e disse: "há poucos dias, participando desses movimentos, é que eu descobri que meu marido me estupra..." (relato de uma oficina de CDD)
(...)
Desse modo, o sistema democrático brasileiro se torna tão enviesado e retalhado, que tratar de direitos reprodutivos, de legalização do aborto, parece falar de caviar ou de artigo de luxo. Tanto é assim que, ao nos referirmos à legalização do aborto, precisamos salientar, apesar da redundância, duas obviedades: a) defender a legalização do aborto, não é estimular, tampouco, obrigar as pessoas a fazerem aborto; b) defender a legalização do aborto, não é defender o aborto. Aliás, ser contra ou a favor ao aborto é uma falsa questão, pois mulher alguma gosta de fazer aborto, pelo contrário, mesmo um exame ginecológico dos mais simples ¿ o papanicolau, por exemplo - costuma ser considerado invasivo e desconfortável para boa parte das mulheres.
(...)
Quando mencionamos, em tais atividades, que ocorrem mais de 1 milhão de abortos anualmente no Brasil, que cerca de 250 mil mulheres são internadas anualmente no SUS por complicações de abortos clandestinos; que abortos desse tipo configuram a 4ª causa de mortalidade materna; que o aborto clandestino acarreta a 2ª ocorrência de obstetrícia no SUS, sendo as mulheres mais afetadas pela legislação punitiva do aborto as mulheres negras, jovens e pobres, as pessoas se surpreendem. Isto porque, entre outros motivos, elas somente obtêm informação sobre a questão do aborto em templos religiosos ou de forma sigilosa, quando se vêem em circunstâncias de abortamento, de acompanharem alguém em tais condições ou de terem sabido de alguém que se encontrou em tais circunstâncias - e que, em muitos casos, não pode mais ter filhos, ficou internada ou até morreu. A expressão das faces das participantes é de alguém que esteve enganada, ao achar que o problema era somente seu!
(...)
Quando mostramos que a história do catolicismo é marcada pela polifonia, sendo a questão do aborto uma matéria controversa no interior da própria Igreja, não sendo, inclusive, matéria de dogma e, como tal, podendo ser discutida por católicos e católicas, @s participantes se sensibilizam de que há muito o que se debater sobre a questão do aborto.
Realizar esse debate com a sociedade, compreendendo que a nossa democracia ainda está por ser construída, é urgente, especialmente quando confirmamos que a nossa população não tem acesso ao básico, a ponto de sequer identificar quando está sendo violentada, quanto menos de estar sensibilizada para reivindicar direitos reprodutivos e de compreender que deveria ter o direito de decidir sobre seu próprio corpo. Esse é o desafio que os movimentos sociais, em particular, nós, do movimento de mulheres e feministas, temos que enfrentar.
Leia a íntegra aqui.
- Monix -
2:04 PM
Quinta-feira, Setembro 01, 2005
O Zodíaco e as Fridas
Embora sejamos regidas por Vênus - por quem mais haveria de ser? - nosotras nos diferenciamos em vários aspectos. Decidimos então falar mais de nossa intimidade, mesmo não tendo sido solicitadas a fazê-lo. Aproveite e teste seus conhecimentos: leia atentamente e descubra quem é quem, deixando seu palpite nos comentários.
Como cada Frida reza antes de dormir:
Frida Taurina: Deus, por favor, ajude-me a aceitar MUDANÇAS em minha vida, mas NÃO AGORA.
Frida Libriana: Querido Deus, eu sei que eu deveria tomar minhas decisões sozinha, mas, por outro lado, o que VOCÊ acha?
As Fridas atravessando a rua:
Por que a Frida Taurina atravessou a rua? Porque encasquetou com a idéia.
Por que a Frida Libriana atravessou a rua? Ela nem precisou atravessar. Alguém acabou oferecendo carona para ela.
Como irritar cada Frida
Frida Taurina:
Gaste o dinheiro dela, peça para dar uma dentada no seu sanduíche ou na sua maçã, desperdice seu material, não devolva suas coisas.
Frida Libriana:
Diga bastante - "Isso é com você, decida logo!". Leve-a para locais feios. Aja de forma grosseira em público, tire melecas, arrote, fale palavrões, vire cerveja na mesa.
Frase de cada Frida
Frida Taurina: : Amor numa cabana? Só se for 5 ESTRELAS.
Frida Libriana: A justiça tarda mas não falha, pois está sempre COMIGO.
Adesivo das Fridas
Frida Taurina: : Não tenho tudo que amo...mas é uma questão de tempo e paciência...
Frida Libriana: Não tenho tudo que amo mas vou ficar conhecendo no sábado à noite.

Duas Fridas
7:01 PM
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